
Em entrevista ao site ZUPI, Stefan Sagmeister, uma das grandes referênicas do design atual, conta o papel que seu trabalho tem na vida dele, no mundo e na vida de cada pessoa. E o principal, conta como o amor pelo que se faz é o que dá a letra!
[Zupi] Seu trabalho é muito conceitual e possui vários pontos de contato com as artes plásticas. Você acha que o design também pode ser uma forma de arte?
A principal diferença entre as artes e o design é que o design deve ter uma função. A cadeira que você está sentada, por exemplo, tem entre suas funções ser confortável. Mas uma cadeira também pode ser representativa, pode transmitir algum aspecto do momento em que se vive – há muitas funções, ela não precisa ser necessariamente confortável. Já a arte não precisa ter uma função; ela pode apenas existir. Se eu me aprofundar nesta questão, minha resposta irá por água abaixo – algumas peças de design são mais artísticas que verdadeiras peças de arte. Há muitos artistas por aí que fazem obras de design sem saber; eu acredito que alguns trabalhos de design de Andy Warhol sejam melhores que sua arte – como a capa do álbum Sticky Fingers, que ele criou para os Rolling Stones. Em geral, como observador, eu não levo em consideração se foi feito por um designer ou por um artista: o que importa é se é bom ou não.

[Zupi] Seus trabalhos são normalmente orgânicos, feitos manualmente. Como você concilia essa característica com o uso da tecnologia?
Nos últimos 15 anos, tudo que desenvolvemos tem tecnologia envolvida. Algum tipo de transformação digital foi feita. A ideia de um design criado pelas máquinas nasceu com a BauHaus, e por volta de 1920, era muito interessante e fascinante, já que haviam sido eliminados os erros humanos. Mas estamos vendo isso há 90 anos, e ficou extremamente chato e entediante. Para uma pessoal normal, andando por aí, na rua, toda essa produção feita pelas máquinas é fria e não tem impacto. A maioria pensa que tudo é feito mecanicamente: se esquecem que há pessoas por trás, talvez porque a aparência do produto final se pareça com algo feito por uma máquina. Por isso agluns projetos obtém mais sucesso através de uma abordagem mais humana e pessoal.