A ABA (Associação Brasileira de Anunciantes) realizou em parceria coma Top Brands Consultoria e Gestão de Marcas, a sexta edição da pesquisa que avalia a força das marcas baseada na lembrança e fidelidade do consumidor em diversas categorias. O estudo vai ser apresentado na íntegra, mas o site Mundo do Marketing já antecipou alguns resultados, sem grandes novidades. Com 1640 entrevistas via telefone, a pesquisa foi feita nas cidades de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Salvador (praças consideradas referência para projetos que testam aceitação de produtos). Para obter melhor resultado, os consumidores são classificados em quatro grupos: os defensores – que compram, recomendam e defendem a marca -; os satisfeitos – que voltam a comprar, mas não defendem a marca necessariamente -; os vulneráveis, que podem voltar ou não a comprar; e os opositores – estes, além de não voltar a comprar tendem a criticar e a boicotar a marca.

A VW está na mente de 40% dos entrevistados e o modelo Gol possui 25% da lembrança (é, valeu o investimento da última campanha, pelo visto). O ano passado, só a título de curiosidade, esse título foi da GM. Nenhum tópico que cause grande supresa, mas algumas marcas mais conhecidas regionalmente do que outras. Impossível falar de outro leite condensado que não o Leite Moça (já virou nome de categoria de produto praticamente), a Revista Veja é outra opção óbvia por generalizar leitores pelo seu conteúdo e acabar pautando a agenda setting muitas vezes. E a nossa querida amiga TIM com a sua ausência de fronteiras se apresenta como a mais lembrada (tudo bem, já disse aqui que sou super fã da última campanha). Também fiquei refletindo comigo mesma uma questão: “eu não deixo de ser da TIM”. O porque é que eu não sei. A mão de ir até a loja e trocar? Mas se me incomodasse tanto assim eu teria ido. Ou, talvez, eu esteja mesmo dando uma chance pra TIM. Ou, ainda, a propaganda funcionou tanto que…é, não sei bem!

Agora, quando se fala na categoria dos mais defendidos algumas coisas mudam pela avaliação ir além de “uma comunicação eficiente”. Aqui entra a importância das marcas trabalharem o atendimento, a eficiência dos produtos, qualidade, P&D, tecnologia, serviços prestados, valorização do consumidor, enfim, tudo aquilo que está dentro do popular (e já banalizado) “valor agregado”. Ta aí a nossa velha amiga Trakinas pra dizer, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco Saúde (pra quem não sabe, 70% da verba de marketing deles vai para trabalhar relacionamento e atendimento). A Oi aparece como surpresa, ficando em primeiro lugar pela primeira vez nessa pesquisa. A Philips novamente é a “Top” na categoria Televisores com 20%, um ponto a mais que a edição anterior, enquanto a LG, que estava logo atrás em 2008, declinou na lembrança do consumidor. Com mais defensores que todas as marcas da categoria está a Semp Toshiba. Na categoria Revistas, destaque para Veja que ocupa a primeira posição com 44% de Top of Mind.
O estudo mostra que nem sempre a marca com maior índice de defensores é a Top of Mind da categoria, o que mostra que a análise deve ir além da lembrança de marca. “É preciso estabelecer uma conexão com o consumidor, pois esta é a forma de fazer com que ele seja fiel neste mundo em que está tudo commoditizado”, explica Machado. O grande problema é que muitas marcas não tem conexão emocional com o consumidor. Na medida em que o funcional não está sendo percebido, o emocional ganha espaço. É o caso de Skol, que foca no emocional e por isso é líder”, compara Marcos Machado em resposta à pergunta do Mundo do Marketing durante o ABA Branding 2009.
O importante disso tudo é lembrar que muitos gestores ainda se enganam acreditando que a simples lembrança de marca é suficiente para traduzir a força dela. Na realidade, a lembrança é apenas o início do árduo processo de construir uma marca forte, que depende cada vez menos exclusivamente da comunicação e cada vez mais do entendimento e relacionamento com ele, o consumidor. Entender que ele é, antes de tudo, ser humano, ajuda a acertar e atender demandas.