O mercado de luxo no Brasil movimenta US$ 4 bilhões por ano, segundo apurações da primeira pesquisa do setor realizada pela MCF Consultoria & Conhecimento em parceria com o instituto Cfk Indicator, divulgada pelo Mundo do Marketing. O Brasil é um dos maiores consumidores de artigos de luxo do planeta e os brasileiros estão entre os maiores gastadores em termos absolutos, em dinheiro mesmo. Uma boa porcentagem disso se deve ao movimento de “popularização do luxo”, onde grandes marcas tornam determinados produtos acessíveis a mais consumidores, os tão falados classe-média ou AB. Exemplos recentes nos trazem esse movimento de mercado com evidência, tendo isso claro na proposta da marca Avon, até então focada claramente em atuação por preço. A Avon Brasil realizou um brunch no Jockey Club de São Paulo para apresentar os lançamentos voltados para o luxo, como a fragrância feminina Christian Lacroix Absynthe e o Ultra Color Rich Batom Ouro, maquiagem produzida com ouro 24k na fórmula. O luxo para a classe-média está atrelado não só a vontade das pessoas de consumir produtos de alto luxo, mas as necessidades desta indústria de crescer no Brasil. é um movimento não natural de uma indústria excludente que se fortalece em cima do slogan publicitário “não é pra você”, tornando o desejo de compra ainda mais forte.
Enquanto isso, só para colocarmos em números o mercado do super luxo, acessível a alguns poucos mortais, uma listinha para inspiração: diária suíte no hotel Burj Al Arab, em Dubai: 35.000 reais; Garrafa (uma) do vinho Montrachet, safra 78, Romanée-Conti: 56,7 mil reais; almoço no Eagle Ski Club em Gstaad, na Suíça; 103 mil reais, pois é preciso ser sócio do restaurante da mais luxuosa estação de esqui do mundo (e a fila de espera do restaurante é de 3 anos); Rolls Royce Phantom: 1,6 milhão de reais e, por fim, uma omelete no Norma, NY: 2.370 reais, a famosa Zillion Dollar Frittata, que leva em sua rica receita muito caviar, uma lagosta e otras cositas más.
Pensar que adquirir uma bolsa de R$ 1.000,00 (pagando em 6 vezes) é luxo pode lá ter sua lógica, se considerarmos que vivemos no Brasil, que é um país pobre e em desenvolvimento. O mercado de luxo segue caminhos diferentes e antagônicos. Fazer o que é luxo ser popular e fazer, ao mesmo tempo, distanciar alguns produtos cada vez mais da classe-média. Tanto que o passo concomitante à popularização do luxo para a classe média-alta é o início do ultra-luxo, com exemplos que já foram dados anteriormente. Este movimento talvez seja apenas temporal, restrito, que mais tarde deixará de existir, pela simples absorção de produtos que deixam de ser luxo para cair no consumo normal, como celular, por exemplo. Quando foi lançado, o celular D&G era uma extravagância; agora, já existe na bolsa de várias peruas remediadas no Brasil e no mundo.
Desta maneira, tem-se o Luxo Popular, “populariza-se” o luxo para uma classe social, os quase-ricos, e ao mesmo tempo, os produtos populares ganham um “toque” de luxo”. Como o movimento de oferecer produtos que até ontem eram “chiques” para estas pessoas, popularizar a compra de celulares, DVDs e câmeras fotográficas, entre outros, é um movimento saudável, a base de qualquer sistema capitalista, este desenvolvimento fatalmente acontecerá. Diante desse crescimento de marcas que tornam o luxo cada vez mais acessível aos consumidores, entender o mercado de luxo como uma atividade profissional e como segmento de negócios torna-se importante. Entender o que é luxo no nosso país, como podemos agregar valor a um serviço ou produto e cobrar mais por ele, pode ser a saída de muitas empresas em meio a concorrência que iguala categorias e nivela a compra. O que é luxo aqui pode não ser luxo lá, mas a estratégia e a lógica seguem os mesmo princípios.
O luxo é tecnológico também:
A Tiffany & Co lançou recentemente seu app de anel de noivado, o que permite que você personalize o anel de noivado dos sonhos e possa e vê-lo em tamanho real. Em uma das funcionalidades do aplicativo o tamanho do anel é dimensionado com a imagem do dedo na tela. Confiram abaixo o vídeo-demo:





